07/01/2009

Daquilo que eu sei... e do que eu não sei, também

Eu sei discorrer sobre diversos assuntos. Nada de muito profundo, nada vira um tratado. Somente fragmentos. Um pouco de quase tudo o que vi, vivi, li, sonhei, presenciei e... amei. Amo. Sou intensa. Cultivo até a última conseqüência tudo que amo, tudo que me é apaixonante. E no momento estou absoluta e irresponsavelmente apaixonada pelo nada. Estou cultivando o nada. O nada no sentido mais filosófico da palavra. Aquilo que se opõe, contradiz, transcende ou se afasta do ser, em sentido absoluto, relativo, ou como mera construção lingüística. Nada. Amor. Paixão. Se a paixão é o lado boboca do amor quero viver amando e... apaixonada para sempre.

Como viram em meu perfil (eu sei que ninguém viu), sou uma simples adoradora da boa poesia e brindo todos os meus nenhum leitores neste primeiro post com uma das que amo do querido bardo:

Sonnet XLIV, by William Shakespeare

If the dull substance of my flesh were thought,
Injurious distance should not stop my way;
For then, despite of space, I would be brought
From limits far remote where thou dost stay.
No matter then although my foot did stand
Upon the farthest earth removed from thee;
For nimble thought can jump both sea and land
As soon as think the place where he would be.
But ah, thought kills me that I am not thought,
To leap large lengths of miles when thou art gone,
But that, so much of earth and water wrought,
I must attend time's leisure with my moan,
Receiving naught by elements so slow
But heavy tears, badges of either's woe.

Se minha carne fosse pensamento
A distância jamais me reteria;
Apesar dos espaços, em um momento,
E bem longe, a ti eu chegaria.
Que importa onde meu pé pudesse estar,
Em que terra de ti tão afastada ?
O pensamento salta terra e mar
Só de pensar na terra desejada.
Morro ao pensar que não sou pensamento,
E que sonhar distâncias não consiga;
Sou feito de água e terras, os elementos
Que ao tempo ocioso e à minha dor me obrigam.
De lentos elementos me resigno,
A ter somente as lágrimas, seus signos.
A um dia de verão como hei de comparar-te ?
A um dia de verão como hei de comparar-te ?
Vencendo-o em equilíbrio, és sempre mais amável!
Em maio o vendaval em ternos botões disparte
E o estio se consome em prazo não durável.
Às vezes, muito quente, o olho de céu fulgura,
Outras vezes se ofusca com a sua tez dourada;
Decai da formosura, é certo, a formosura,
Pelo tempo ou o acaso é enfim desadornada:
Mas teu verão é eterno, e não desmaiará,
Nem hás de a possessão perder tua beleza,
Vagando em sua sombra, o fim não te verá,
Pois neste verso eterno ao tempo, tu te igualas:
Enquanto o homem respire, e os olhos possam ver,
Meu canto existirá, e nele hás de viver.

Música que amo de todas as formas:





"Eu sou eu e minha circunstância, e se não salvo a ela, não me salvo a mim." Ortega Y Gasset

Muito prazer. Sou Priscila Gasset.

2 comentários:

Anônimo disse...

Querida Priscila,
gostei muito deste Espaço, com referências cinéfilas que também são minhas, a «BELLE DE JOUR» e a um remake wilderiano de «HIS GIRL FRIDAY» que não lhe é inferior.
Sobre o Nada, tempo houve em que pensava ser... muito pouco. Fui desenganado por Chesterton, no conto do Padre Brown «A Forma Errada», em que descortina três dimensões diferentes dele ma resposta de uma personagem que o usa outras tantas vezes, em negação pelos vistos muito mais radical do que a de S. Pedro.
Mas, sobre a Paixão vivida e desvanecida, a uma Amante da Boa Música permito-me sugerir «LE TEMPS DO LILAS», de Barbara. Está no YouTube.
Beijinho venerador

priscila gasset disse...

Paulo, querido, você é um homem maravilhoso e generosíssimo. Nossas afinidades são várias. Entendo cada vez mais Chesterton. ´
A música que sugeriu... bem, simplesmente adoro.
Um grande beijo e o espero sempre neste espaço.